O que esperar de “Dirty Computer”, o novo álbum de Janelle Monáe

Uma homenagem a Prince pode ser a vibe do novo álbum de Janelle Monáe

Há pouco mais de 10 anos tivemos o privilégio de receber, vinda de outro planeta, o soul e a impulsividade artística de Janelle Monáe. Com ginga e identidade marcantes, Janelle nos presenteou com hits deliciosamente bem produzidos e um trajeto notável na música, moda e cinema.

Em seus álbuns um verdadeiro storytelling rítmico e bem construído nos levam a diferentes dimensões, com cara de sci-fi anos 50 e 60 misturado com seus sentimentos, discursos fortes sobre igualdade de gênero e a valorização da mulher no mercado musical. Monaé se tornou atriz, uma baita atriz, com participação em futuros clássicos universais como “Moonlight” e “Estrelas Além do Tempo”, ambos com profundas discussões sobre homossexualidade e a importância da mulher negra na NASA em plena Guerra Fria.

Tudo em Janelle Monaé tem sentido, faz seu sentido e toca cada um de maneira particular. Sua presença marcante no palco, que por duas vezes tive o prazer de presenciar, sobre um metro de meio de pirações e um senso estético inesquecível (ela até pinta um quadro no palco), com toques de Stevie Wonder, do qual é assumidamente fã e seguidora, Jackson 5 e um funk de raiz que faria James Brown se levantar e dançar.

Sobre Dirty Computer

Em um mês Janelle lança seu terceiro álbum, Dirty Computer. Descrito pela imprensa gringa como “seu disco mais pessoal”, já estão rolando dois singles que obrigatoriamente devem ser ouvidos, “Make Me Feel” e “Django Jane”.

Lançados em fevereiro, as duas faixas do novo álbum anunciam a intimidade da cantora, que trata de temas atuais e muito discutidos redes sociais afora, como uma poderosa ode às mulheres negras em “Django”, suas conquistas e uma possível bissexualidade, já que interpreta a amante da atriz Tessa Thompson em “Make Me Feel” (e sim, há boatos que estejam juntas).

Em entrevista à revista OUT, Janelle descreve seu novo trabalho como “100% honesto e um pouco assustador” para ela, falando também de influências claras do mestre, Prince. Apesar de dezenas de tentativas (algumas frustradas – como de Justin Timberlake no último Superbowl), Monáe é quem chegou mais próximo de capturar a essência de “Purple Rain”, “Kiss” e tantos outros sucessos que Prince nos deixou. A energia sexual das batidas de “Make Me Feel” e outras faixas misteriosas do novo álbum, trazem o colorido delicioso dos anos 1980, em especial o tom roxo e alguns samples mais engajados do trabalho do artista.

Em uma publicação excluída no Facebook, o DJ de Prince, Lenka Paris, disse que o astro ajudou Monáe a criar “Make Me Feel”. “Cerca uns 2 anos e meio atrás, eu mostrei para Prince algumas batidas da música e ele fez questão de fazer parte. Eu abri o computador dele e toquei um ‘groove’, era futurista e tão bom”, publicou. Em entrevista à rádio BBC, Janelle Monáe contou que estava trabalhando no álbum com Prince quando ele morreu”. “Eu realmente sinto falta, é difícil para mim falar sobre Prince”, desabafou.

O novo álbum de Janelle Monáe será emocional e imersivo

No trailer que anunciou o novo álbum, Janelle faz alusão a um filme narrativo que pode acompanhar a Dirty Computer. Flashes e uma “imagem de emoção”, como Monáe chama, mostram Tessa Thompson em diferentes quadros, pessoas de máscaras, uma tatuagem de um “Jesus mulher” crucificada e tantas outras referências futuristas… algumas das sensações da artista sobre esse universo multicolorido e “sexualmente livre” que transformará seu quarto, seu carro, seus fones de ouvido e as pistas de dança do mundo em uma festa visual esotérica, mas recompensadora.

Estamos todos ansiosos pelo novo álbum de Janelle Monáe!

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